Autor(a) - Toalá Carolina Campos
30-08-2021 16h29
O perfil do abusador psíquico.
Nunca se falou tanto em abuso emocional. Pudera, demorou anos para o abuso psicológico ser considerado abuso.
A agressão com o ser humano, sobretudo, contra a mulher, era apenas constatada e considerada se houvessem marcas e ainda assinada por um médico legista.
Sobre o que se passava na mente da vítima agredida psicologicamente nada se dizia, afinal, não era abuso para a maioria.
A Lei Maria da Penha foi retirando o véu dos vários tipos de agressões e abusos, pouco a pouco, conforme a evolução do entendimento da questão social que girava abafado entre os tecidos femininos.
Tudo isso porque o perfil do abusador psicológico passa despercebido pela grande maioria, inclusive pela própria vítima.
E por que?
Saindo um pouco do que versa a Lei Maria da Penha, quero falar sobre a máscara social do abusador, como ele convence tantas pessoas?
O perfil é, geralmente, o perfil de uma pessoa moralista, que enche o peito para falar em alto e bom som sobre sua "conduta ilibada", sobre como é um bom filho, bom pai, gerador de empregos ou um funcionário exemplar. Em geral, o discurso da vítima-heroína. Contam uma história triste de infância, depois de superação solitária, em seguida da glória.
Sistemáticos, possuem um aspecto perfeccionista com a autoimagem. Sempre extremamente limpos, organizados, cheirando a banho recém tomado. Nada foge a uma imagem de perfeição, do discurso, aos atos sociais e a aparência.
Tudo isso para mascarar a desorganização interna. Claro, o abusador sabe quem é, por isso tendem a criar um personagem social beirando o príncipe dos contos de fadas. Acima de qualquer suspeita.
A vítima passa por "desequilibrada"”, "insana", "dramática" e "mentirosa", pois, o abusador vai minando em doses homeopáticas a ordem psicológica, a estrutura psíquica e assim, a vítima vai perdendo aos poucos, a credibilidade social e familiar.
O abusador afirma diariamente para a própria vítima que ela não tem capacidade psíquica, que não sabe o que diz, que está ficando maluca, e passa a implantar memórias fictícias dizendo: "mas eu te falei, você que não presta atenção, ou está sempre no mundo da lua". De tanto repetir coisas como essas citadas, a vítima passa a acreditar que talvez esteja mesmo exagerando ou adoecida.
Muitas vezes procura um psiquiatra e é medicada desligando boa parte de suas funções racionais e emocionais. O que também é usado contra ela mesma: "ela toma medicações controladas".
Bem, hoje temos a tecnologia ao nosso favor, portanto usar o aparelho celular para gravar diálogos, discussões, brigas, agressões de todas as ordens e falas testemunhais do que é dito na ausência, faz-se essencial, pois, assim, a prova do abuso psicológico pode ser produzida e tipificada.
A Lei Maria da Penha atualizada já concede à mulher o direito de lavrar o Boletim de Ocorrência na DDM (Delegacia da Mulher) a fim de processar o abusador.
Contudo, o importante é detectar os primeiros sinais do perfil de "Príncipe" no contato inicial e no início do relacionamento, jamais acreditando que existe de fato esse perfil de homem.
Quanto mais forte a máscara social, mais perigoso é. Claro que não é uma regra nem uma generalização, contudo, fique alerta para esses sinais.

Toalá Carolina Campos
Bacharel em Direito e Psicanalista, psicoterapeuta, psicologia positiva, formanda em psicologia e MBA em neurociência, escritora premiada e autora de mais de 12 obras literárias, empresária, palestrante, colunista, do Universo do Conteúdo Digital.
Coautora do Curso e da Palestra Jurídica e Psicanalítica que auxilia mulheres a se blindarem da violência doméstica - "VAI COM ELAS"” hospedada na plataforma de cursos online HOTMART e autora de mais quatro cursos online de sucesso na mesma plataforma.