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OAB EXAME XLV

21/12/2025 · FGV · 80 questões

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Exame: OAB EXAME XLV - Data da prova: 12-2025 - Questão na prova: 61 - Ramo: Direito Penal - Tema: Da Extinção da Punibilidade - Organizadora: FGV
61

Em 12 de abril, Dia da Mentira, Maria resolveu "pregar uma peça" em Pedro, coveiro no cemitério Paz Eterna. Maria pediu a José que divulgasse nas redes sociais que ela falecera após ter sofrido um infarto. Como parte da encenação, Maria sedou-se e deitou-se em um caixão, que foi lacrado e encaminhado por José, com documentos sofisticadamente falsificados, para a sede do Paz Eterna. Sem ser avisado ou desconfiar da farsa, Pedro ficou muito triste e, após orar pela alma de Maria, cumpriu seu dever profissional, realizando a cremação e guardando as cinzas num pote de vidro, que se quebrou. Sobre o procedimento de Pedro, assinale a afirmativa correta.

Fundamentação:

Pedro agiu acreditando, de forma totalmente justificável, que Maria estava morta. Ele foi induzido a erro por uma encenação bem montada: caixão lacrado, documentos falsificados e divulgação pública do “falecimento”, sem qualquer sinal que o colocasse em dúvida. Isso configura erro de tipo essencial invencível (artigo 20 do Decreto-lei 2.848/40, o Código Penal – CP), que afasta o dolo e, nesse caso, também afasta a culpa, já que Pedro não tinha como perceber a verdade nem violou dever de cuidado. Em outras palavras: ele realizou o ato de cremação como parte do trabalho, sem saber que havia uma pessoa viva ali, e não tinha como descobrir.

Erro sobre elementos do tipo

Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.

Descriminantes putativas

§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo.

Erro determinado por terceiro

§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro.

Erro sobre a pessoa

§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.

Exame: OAB EXAME XLV - Data da prova: 12-2025 - Questão na prova: 62 - Ramo: Direito Penal - Tema: Da Aplicação da Lei Penal - Organizadora: FGV
62

Bernardo é gerente bancário e teve seu filho levado por terceiros, que lhe exigiram o pagamento de um milhão de reais para devolvê-lo com vida. Bernardo, valendo-se de sua condição de gerente de banco, foi à agência em que trabalhava e subtraiu a quantia, sendo, entretanto, flagrado quando chegava em sua casa portando o dinheiro subtraído. Sobre a situação de Bernardo no fato hipotético, assinale a afirmativa correta.

Fundamentação:

A inexigibilidade de conduta diversa (artigos 22 e 23, do Decreto-lei 2.848/40, o Código Penal – CP) ocorre nos casos em que o agente não podia agir de outra forma, devido a uma situação de coação moral irresistível ou perigo atual. Bernardo roubou para salvar a vida do filho, uma situação de escusa absolutória. Ele não tinha alternativa razoável senão pegar o dinheiro. Embora o ato seja formalmente um furto, não se exige pena, pois a lei entende que não havia como agir de forma diferente. A conduta é típica, mas a culpabilidade é afastada porque, diante da ameaça gravíssima contra o filho, não era razoável exigir comportamento diferente.

Coação irresistível e obediência hierárquica

Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem.

Exclusão de ilicitude

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:

I - em estado de necessidade;

II - em legítima defesa;

III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.

Excesso punível

Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo excesso doloso ou culposo.

Exame: OAB EXAME XLV - Data da prova: 12-2025 - Questão na prova: 63 - Ramo: Direito Processual Penal - Tema: Da Competência - Organizadora: FGV
63

Lucas era investigado por estupro de vulnerável, pois, de acordo com as investigações, teria mantido relações sexuais com pessoa menor de 14 anos. A partir de indícios concretos, a 1ª Vara Criminal da Comarca correspondente ao local dos fatos expediu mandado de busca e apreensão de aparelhos eletrônicos de Lucas, após regular requerimento do Ministério Público. Nos dispositivos eletrônicos apreendidos foram localizados diversos arquivos, cujo conteúdo apresentava abuso sexual infantil, armazenados e compartilhados nas redes sociais, acessíveis de qualquer lugar do país e do exterior, sem se confirmar, contudo, a hipótese inicial de estupro de vulnerável. Assim, Lucas foi denunciado como incurso nas penas do Art. 241-A e do Art. 241-B, ambos do ECA (divulgação e armazenamento de conteúdo pornográfico envolvendo criança ou adolescente). A sentença foi proferida pelo Juiz de Direito da 1ª Vara Criminal da Comarca, tendo sido confirmada pelo Tribunal de Justiça correspondente, e transitada em julgado, condenando Lucas a 5 anos de reclusão, em regime semiaberto. A respeito dos fatos, assinale a opção que apresenta, corretamente, a providência de Direito Processual Penal que o(a) advogado(a) deve adotar.

Fundamentação:

Como o crime da Lei 8.069/1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA apresentou caráter transnacional, a competência passou a ser da Justiça Federal. O juiz estadual, ao processar e julgar um crime federal, agiu com incompetência absoluta. O habeas corpus é o instrumento adequado para cessar essa coação ilegal à liberdade, visando anular os atos decisórios proferidos por juízo incompetente. A busca e apreensão foi autorizada pelo juízo da 1ª Vara Criminal do local dos fatos, mas o enunciado indica que a investigação inicial era de estupro de vulnerável e, no desenvolvimento da apuração, os fatos efetivamente apurados passaram a se referir a crimes do ECA. Se o juízo era absolutamente incompetente para aquela medida, a prova obtida é tida como ilícita, com reflexos sobre os atos decisórios posteriores. Vejamos como o Decreto-lei 3.689/41, o Código de Processo Penal – CPP, trata a questão:

Art. 567 - A incompetência do juízo anula somente os atos decisórios, devendo o processo, quando for declarada a nulidade, ser remetido ao juiz competente.

Art. 568 - A nulidade por ilegitimidade do representante da parte poderá ser a todo tempo sanada, mediante ratificação dos atos processuais.

Art. 569 - As omissões da denúncia ou da queixa, da representação, ou, nos processos das contravenções penais, da portaria ou do auto de prisão em flagrante, poderão ser supridas a todo o tempo, antes da sentença final.

Art. 570 - A falta ou a nulidade da citação, da intimação ou notificação estará sanada, desde que o interessado compareça, antes de o ato consumar-se, embora declare que o faz para o único fim de argui-la. O juiz ordenará, todavia, a suspensão ou o adiamento do ato, quando reconhecer que a irregularidade poderá prejudicar direito da parte.

Exame: OAB EXAME XLV - Data da prova: 12-2025 - Questão na prova: 64 - Ramo: Direito Processual Penal - Tema: Dos Processos em Espécie - Organizadora: FGV
64

Arthur está cumprindo pena privativa de liberdade pela prática do crime de furto qualificado. Durante o curso da execução penal sofreu uma queda e ficou tetraplégico, atestado em laudo médico oficial. No final do ano, o Presidente da República concedeu indulto natalino via Decreto, abrangendo os casos de tetraplegia superveniente à prática do delito, desde que o crime tivesse sido praticado sem violência ou grave ameaça. Sendo assim, você, como advogado(a) de Arthur, formulou o pedido de declaração da extinção da punibilidade ao Juízo da Execução, que indeferiu o pedido, sem apresentar fundamentação. Diante do caso narrado, na qualidade de advogado(a) de Arthur, você deve interpor

Fundamentação:

Segundo o artigo 197 da Lei 7.210/84, a Lei de Execução Penal - LEP, das decisões proferidas pelo juiz da execução caberá o recurso de agravo em execução. O prazo para esse recurso é de 5 dias, conforme a Súmula 700 do STF. Além disso, como a decisão afeta diretamente a liberdade de Arthur (que deveria estar solto pelo indulto) e carece de fundamentação (violação constitucional), o Habeas Corpus pode ser impetrado simultaneamente ("sem prejuízo"), pois há um flagrante constrangimento ilegal.

Art. 197 - Das decisões proferidas pelo Juiz caberá recurso de agravo, sem efeito suspensivo.

Súmula 700 do STF

É de cinco dias o prazo para interposição de agravo contra decisão do juiz da execução penal.

Exame: OAB EXAME XLV - Data da prova: 12-2025 - Questão na prova: 65 - Ramo: Direito Processual Penal - Tema: Das Questões e Processos Incidentes - Organizadora: FGV
65

Túlio abriu sua geladeira, retirou sua água com gás e, ao beber, sentiu um gosto estranho, posteriormente vindo a descobrir que se tratava de solvente. Em seguida, Túlio entrou no quarto e chamou sua esposa, Felícia, de "assassina". Após o esclarecimento de que o solvente tinha sido colocado por equívoco na geladeira por seu filho Thor, Túlio pediu desculpas à Felícia. Alguns dias depois, Felícia contou, em uma roda informal, para a sua amiga Promotora de Justiça, que o marido a havia chamado de "assassina". Diante de tais fatos, o Ministério Público ofereceu a denúncia por crime de injúria em desfavor de Túlio. Sobre o caso narrado, como advogado(a) de Túlio, assinale a afirmativa correta.

Fundamentação:

Está se falando do crime de injúria, que ocorre nos casos em que se ofende a dignidade ou o decoro. A injúria, tipificada no artigo 140 do Decreto-lei 3.689/41, o Código de Processo Penal – CP, é, em regra, uma ação penal privada. Isso significa que a vítima, por meio de advogado, deve ajuizar essa ação no prazo de 6 meses após saber quem cometeu o crime, não dependendo do Ministério Público para iniciar o processo. No caso narrado, embora o fato tenha ocorrido no contexto familiar, isso não altera a natureza da ação penal. O artigo 30 do Decreto-Lei 3.689/41, o Código de Processo Penal – CPP, trata da questão.

Injúria

Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo lhe a dignidade ou o decoro:

Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena:

I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;

II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.

§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes:

Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a religião ou à condição de pessoa idosa ou com deficiência:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

Art. 30 - Ao ofendido ou a quem tenha qualidade para representá-lo caberá intentar a ação privada.

Exame: OAB EXAME XLV - Data da prova: 12-2025 - Questão na prova: 66 - Ramo: Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA - Tema: Das Medidas de Proteção - Organizadora: FGV
66

Joaquim, menor impúbere de 8 anos de idade, sofreu castigos físicos imoderados praticados por seu pai, Geraldo. Diante do fato, a mãe de Joaquim, representando-o, constituiu você como advogado(a) do menor. Assinale a opção que apresenta, corretamente, o requerimento que você, como advogado(a) de Joaquim, deve apresentar.

Fundamentação:

A fixação de medida protetiva de urgência de proibição de contato e aproximação, foi aplicada com base na Lei 14.344/22, a Lei Henry Borel (Lei 14.344/22). Ela prevê medidas protetivas de urgência para crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica e familiar, como o afastamento do agressor do lar e a proibição de contato e aproximação (Art. 21, II, da referida lei).

Art. 21. Poderá o juiz, quando necessário, sem prejuízo de outras medidas, determinar:

I - a proibição do contato, por qualquer meio, entre a criança ou o adolescente vítima ou testemunha de violência e o agressor;

II - o afastamento do agressor da residência ou do local de convivência ou de coabitação;

III - a prisão preventiva do agressor, quando houver suficientes indícios de ameaça à criança ou ao adolescente vítima ou testemunha de violência;

IV - a inclusão da vítima e de sua família natural, ampliada ou substituta nos atendimentos a que têm direito nos órgãos de assistência social;

V - a inclusão da criança ou do adolescente, de familiar ou de noticiante ou denunciante em programa de proteção a vítimas ou a testemunhas;

VI - no caso da impossibilidade de afastamento do lar do agressor ou de prisão, a remessa do caso para o juízo competente, a fim de avaliar a necessidade de acolhimento familiar, institucional ou colação em família substituta;

VII - a realização da matrícula da criança ou do adolescente em instituição de educação mais próxima de seu domicílio ou do local de trabalho de seu responsável legal, ou sua transferência para instituição congênere, independentemente da existência de vaga.

§ 1º - A autoridade policial poderá requisitar e o Conselho Tutelar requerer ao Ministério Público a propositura de ação cautelar de antecipação de produção de prova nas causas que envolvam violência contra a criança e o adolescente, observadas as disposições da Lei nº 13.431, de 4 de abril de 2017.

§ 2º - O juiz poderá determinar a adoção de outras medidas cautelares previstas na legislação em vigor, sempre que as circunstâncias o exigirem, com vistas à manutenção da integridade ou da segurança da criança ou do adolescente, de seus familiares e de noticiante ou denunciante.

Art. 11 - Na hipótese de ocorrência de ação ou omissão que implique a ameaça ou a prática de violência doméstica e familiar contra a criança e o adolescente, a autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência adotará, de imediato, as providências legais cabíveis.

Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput deste artigo ao descumprimento de medida protetiva de urgência deferida.

Exame: OAB EXAME XLV - Data da prova: 12-2025 - Questão na prova: 67 - Ramo: Direito Processual Penal - Tema: Da Prova - Organizadora: FGV
67

Caim, desejando matar Abel, lhe ofereceu um pastel de camarão durante uma festa, sabendo que esse alimento lhe causaria severa alergia. Abel consumiu o pastel oferecido por Caim, além de diversos outros salgados e, em sequência, teve uma violenta crise alérgica, vindo a falecer. Acionada a polícia, os investigadores recolheram, em um mesmo invólucro, todos os alimentos da festa, os quais foram submetidos à perícia, que concluiu que "todos os alimentos periciados contêm traços de camarão em quantidade suficiente para causar a morte da vítima, da forma como ocorreu, não se podendo precisar se a contaminação de tais alimentos ocorreu durante o preparo, na cozinha, ou durante o recolhimento pela Polícia." A necropsia revelou que o consumo de substância alergênica causou a morte de Abel. Sabe-se, ainda, que não é mais possível repetir a colheita de vestígios e a perícia dos alimentos. Assim, Caim foi denunciado pelo homicídio doloso de Abel. Como advogado de Caim, é correto afirmar que a quebra da cadeia de custódia enseja

Fundamentação:

O artigo 158-A do Decreto-Lei 3.689/41, o Código de Processo Penal – CPP, define a cadeia de custódia como o rastreamento do vestígio para garantir sua integridade. Ao misturar todos os salgados no mesmo invólucro, a polícia cometeu uma falha grave (contaminação cruzada). Como não se sabe se o camarão estava em todos os salgados desde a cozinha ou se o contato no saco da polícia espalhou o alérgeno, não há como afirmar com certeza que foi o pastel de Caim que matou Abel. Assim, há ausência de prova fiável do nexo de causalidade. No processo penal, a dúvida sempre deve favorecer o réu

Art. 158-A - Considera-se cadeia de custódia o conjunto de todos os procedimentos utilizados para manter e documentar a história cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte.

§ 1º - O início da cadeia de custódia dá-se com a preservação do local de crime ou com procedimentos policiais ou periciais nos quais seja detectada a existência de vestígio.

§ 2º - O agente público que reconhecer um elemento como de potencial interesse para a produção da prova pericial fica responsável por sua preservação.

§ 3º - Vestígio é todo objeto ou material bruto, visível ou latente, constatado ou recolhido, que se relaciona à infração penal.

Exame: OAB EXAME XLV - Data da prova: 12-2025 - Questão na prova: 68 - Ramo: Direito Processual Penal - Tema: Da Competência - Organizadora: FGV
68

Flávia foi pronunciada pela suposta prática de crime de aborto. O processo estava tramitando na cidade de Salgados, PA, e teve grande repercussão no local, havendo, inclusive, várias ameaças de populares contra a ré. A sessão de julgamento pelo júri popular já foi designada, tendo a defesa sido intimada da referida designação. Sobre a hipótese, assinale a opção que indica o modo adequado de você, como advogado(a) da ré, requerer que o julgamento ocorra em outra Comarca.

Fundamentação:

Desaforamento é um instituto previsto nos artigos 427 e 428 do Decreto-Lei 3.689/41, o Código de Processo Penal – CPP, que consiste no deslocamento da competência do julgamento em plenário da comarca de origem, onde ocorreu o crime doloso contra a vida, para outra da mesma região. Esse instituto é aplicável somente no Tribunal do Júri, nas hipóteses trazidas em lei.

Art. 427 - Se o interesse da ordem pública o reclamar ou houver dúvida sobre a imparcialidade do júri ou a segurança pessoal do acusado, o Tribunal, a requerimento do Ministério Público, do assistente, do querelante ou do acusado ou mediante representação do juiz competente, poderá determinar o desaforamento do julgamento para outra comarca da mesma região, onde não existam aqueles motivos, preferindo-se as mais próximas.

§ 1º - O pedido de desaforamento será distribuído imediatamente e terá preferência de julgamento na Câmara ou Turma competente.

§ 2º - Sendo relevantes os motivos alegados, o relator poderá determinar, fundamentadamente, a suspensão do julgamento pelo júri.

§ 3º - Será ouvido o juiz presidente, quando a medida não tiver sido por ele solicitada.

§ 4º - Na pendência de recurso contra a decisão de pronúncia ou quando efetivado o julgamento, não se admitirá o pedido de desaforamento, salvo, nesta última hipótese, quanto a fato ocorrido durante ou após a realização de julgamento anulado.

Art. 428 - O desaforamento também poderá ser determinado, em razão do comprovado excesso de serviço, ouvidos o juiz presidente e a parte contrária, se o julgamento não puder ser realizado no prazo de 6 (seis) meses, contado do trânsito em julgado da decisão de pronúncia.

§ 1º - Para a contagem do prazo referido neste artigo, não se computará o tempo de adiamentos, diligências ou incidentes de interesse da defesa.

§ 2 º - Não havendo excesso de serviço ou existência de processos aguardando julgamento em quantidade que ultrapasse a possibilidade de apreciação pelo Tribunal do Júri, nas reuniões periódicas previstas para o exercício, o acusado poderá requerer ao Tribunal que determine a imediata realização do julgamento.

Exame: OAB EXAME XLV - Data da prova: 12-2025 - Questão na prova: 69 - Ramo: Direito Previdenciário - Tema: Diversos - Organizadora: FGV
69

Joana Silva, empregada doméstica, prestando serviço aos mesmos empregadores por cinco anos consecutivos, é demitida por justa causa, devido à prática de ilícito prontamente comprovado em ambiente laborai. Joana, seis meses após o desligamento, sofreu um acidente de trânsito, restando incapacitada permanentemente para qualquer atividade remunerada. Nesse contexto, assinale a afirmativa correta.

Fundamentação:

Joana trabalhou por 5 anos, logo, era segurada obrigatória. Ao ser demitida (não importa se foi com ou sem justa causa), ela entra no Período de Graça. Segundo o artigo 15, inciso II, da Lei 8.213/91, a Consolidação das Leis Previdenciárias, o segurado mantém a qualidade de segurado o direito aos benefícios) por até 12 meses após parar de contribuir. Como o acidente foi 6 meses após a demissão, ela ainda estava dentro do prazo de cobertura. Como a incapacidade é total e permanente, ela tem direito à aposentadoria por incapacidade permanente.

Art. 15 - Mantém a qualidade de segurado, independentemente de contribuições:

......................

II - até 12 (doze) meses após a cessação das contribuições, o segurado que deixar de exercer atividade remunerada abrangida pela Previdência Social ou estiver suspenso ou licenciado sem remuneração;

........................

Exame: OAB EXAME XLV - Data da prova: 12-2025 - Questão na prova: 70 - Ramo: Direito Previdenciário - Tema: Diversos - Organizadora: FGV
70

Sílvia Lima, empregada segurada do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), desempenha suas funções em atividades externas, mediante entregas de produtos elaborados por seu empregador. Em uma de suas entregas, logo após deixar a mercadoria e já no retorno ao seu posto de trabalho, foi atingida por um veículo em alta velocidade, que transitava em desacordo com os limites da via. Em virtude do ocorrido, Sílvia permaneceu afastada por um ano, em gozo de benefício previdenciário por incapacidade temporária, tendo se recuperado plenamente para as suas atividades. Sobre a situação de Sílvia, segundo o RGPS, assinale a afirmativa correta.

Fundamentação:

A questão trata de acidente de trabalho por equiparação (acidente no percurso/atividade externa a serviço) e da consequência trabalhista/previdenciária, ao retornar ao trabalho. Ela tem direito à estabilidade provisória de 12 meses, não podendo ser dispensada sem justa causa nesse período, por determinação do artigo 118 da Lei 8.313/91, a Lei dos Planos de Benefícios da Previdência Social.

Art. 118 - O segurado que sofreu acidente do trabalho tem garantida, pelo prazo mínimo de doze meses, a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa, após a cessação do auxílio-doença acidentário, independentemente de percepção de auxílio-acidente.