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OAB EXAME XLVI

03/05/2026 · FGV · 80 questões

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Exame: OAB EXAME XLVI - Data da prova: 05-2026 - Questão na prova: 71 - Ramo: Direito do Trabalho - Tema: Contrato de Emprego - Organizadora: FGV
71

Paulo foi contratado pela sociedade empresária Novos Horizontes para exercer a função de técnico em informática. João trabalha no mesmo setor e, por força de readaptação, exerce a mesma função de Paulo há seis meses. Luciana foi contratada um ano depois de Paulo, e ambos exercem a mesma função, não havendo diferença no trabalho realizado pelos três empregados. A sociedade empresária não tinha pessoal organizado em quadro de carreira, e o trabalho era distribuído entre os três indistintamente. Contudo, João recebia R$ 600,00 (seiscentos reais) a mais que Paulo, que, por sua vez recebia R$ 500,00 (quinhentos reais) a mais de salário que Luciana. Diante disso, você, como advogado(a), foi consultado(a) por Luciana acerca da diferença salarial. Assinale a opção que apresenta a resposta correta dada ao questionamento.

Fundamentação:

A diferença salarial entre Luciana e Paulo é injustificável, pois ambos exercem a mesma função, com diferença de tempo na função inferior a dois anos, preenchendo os requisitos , do artigo 461, parágrafo 1º do Decreto-lei 5.452/43, a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. Agora, equiparação com João não é possível, pois a lei veda expressamente que o trabalhador readaptado sirva como paradigma, conforme o parágrafo 4º do mesmo artigo.

Art. 461 - Sendo idêntica a função, a todo trabalho de igual valor, prestado ao mesmo empregador, no mesmo estabelecimento empresarial, corresponderá igual salário, sem distinção de sexo, etnia, nacionalidade ou idade.

§ 1º - Trabalho de igual valor, para os fins deste Capítulo, será o que for feito com igual produtividade e com a mesma perfeição técnica, entre pessoas cuja diferença de tempo de serviço para o mesmo empregador não seja superior a quatro anos e a diferença de tempo na função não seja superior a dois anos.

§ 2º - Os dispositivos deste artigo não prevalecerão quando o empregador tiver pessoal organizado em quadro de carreira ou adotar, por meio de norma interna da empresa ou de negociação coletiva, plano de cargos e salários, dispensada qualquer forma de homologação ou registro em órgão público.

§ 3º - No caso do § 2o deste artigo, as promoções poderão ser feitas por merecimento e por antiguidade, ou por apenas um destes critérios, dentro de cada categoria profissional.

§ 4º - O trabalhador readaptado em nova função por motivo de deficiência física ou mental atestada pelo órgão competente da Previdência Social não servirá de paradigma para fins de equiparação salarial.

§ 5º - A equiparação salarial só será possível entre empregados contemporâneos no cargo ou na função, ficando vedada a indicação de paradigmas remotos, ainda que o paradigma contemporâneo tenha obtido a vantagem em ação judicial própria.

§ 6º - Na hipótese de discriminação por motivo de sexo, raça, etnia, origem ou idade, o pagamento das diferenças salariais devidas ao empregado discriminado não afasta seu direito de ação de indenização por danos morais, consideradas as especificidades do caso concreto.

§ 7º - Sem prejuízo do disposto no § 6º, no caso de infração ao previsto neste artigo, a multa de que trata o art. 510 desta Consolidação corresponderá a 10 (dez) vezes o valor do novo salário devido pelo empregador ao empregado discriminado, elevada ao dobro, no caso de reincidência, sem prejuízo das demais cominações legais.

Exame: OAB EXAME XLVI - Data da prova: 05-2026 - Questão na prova: 72 - Ramo: Direito do Trabalho - Tema: Contrato de Emprego - Organizadora: FGV
72

Uma Organização não Governamental está realizando uma série de parcerias com entidades privadas visando à inserção e ao aprendizado de menores no mercado de trabalho, a fim de estimular o primeiro emprego, bem como evitar os riscos de envolvimento com a criminalidade. Diante disso, consultou você, na qualidade de advogado(a), a respeito do trabalho do menor como empregado. Assinale a opção que apresenta, corretamente, a sua orientação sobre o caso.

Fundamentação:

A alternativa correta coincide com a exceção expressa à regra geral de proibição do trabalho do menor de 16 anos. A Constituição Federal, artigo 7º, inciso XXXIII, admite trabalho antes dos 16 apenas na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos, e o Decreto-lei 5.452/43, a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, artigo 403, caput, vai no mesmo caminho, o que demonstra que a afirmação da alternativa correta corresponde exatamente ao regime jurídico aplicável.

Art. 403 - É proibido qualquer trabalho a menores de dezesseis anos de idade, salvo na condição de aprendiz, a partir dos quatorze anos.

Parágrafo único. O trabalho do menor não poderá ser realizado em locais prejudiciais à sua formação, ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e social e em horários e locais que não permitam a frequência à escola.

a) revogada;

b) revogada.

Art. 7º - São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:

.....................................

XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos;

Exame: OAB EXAME XLVI - Data da prova: 05-2026 - Questão na prova: 73 - Ramo: Direito do Trabalho - Tema: Direito Coletivo de Emprego - Organizadora: FGV
73

Pedro trabalha numa sociedade empresária desde 2022. Na norma coletiva da categoria de Pedro há uma cláusula que fixa o intervalo intrajornada de 20 minutos para a jornada superior a seis horas diárias e, outra cláusula, prevendo que a remuneração do trabalho noturno será igual à do diurno. Considerando o que foi estipulado na norma coletiva, de acordo com a CLT, assinale a afirmativa correta.

Fundamentação:

As duas cláusulas citadas no enunciado afrontam o Decreto-lei 5.452/43, a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. O intervalo intrajornada, para jornada superior a seis horas, não pode ser reduzido abaixo do mínimo legal negociável de 30 minutos; e a equiparação da remuneração noturna à diurna contraria a regra legal de remuneração superior do trabalho noturno. Vejamos os artigos da CLT que tratam da questão.

Art. 73 - Salvo nos casos de revezamento semanal ou quinzenal, o trabalho noturno terá remuneração superior a do diurno e, para esse efeito, sua remuneração terá um acréscimo de 20 % (vinte por cento), pelo menos, sobre a hora diurna:

.............................

Art. 611-A - A convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm prevalência sobre a lei quando, entre outros, dispuserem sobre: (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)

............................

III - intervalo intrajornada, respeitado o limite mínimo de trinta minutos para jornadas superiores a seis horas;

................................

Art. 611-B - Constituem objeto ilícito de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho, exclusivamente, a supressão ou a redução dos seguintes direitos

..........................

VI - remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;

................................

Exame: OAB EXAME XLVI - Data da prova: 05-2026 - Questão na prova: 74 - Ramo: Direito do Trabalho - Tema: Remuneração e Salário - Organizadora: FGV
74

A sociedade empresária Distribuidora de Bebidas Bom Paladar Ltda. pretende instituir uma política de incentivo aos seus empregados. Para tanto, deseja dar benefícios compreendidos em melhorias da condição de trabalho, com o fornecimento de uniformes novos, mais leves e confortáveis, computadores portáteis, transporte coletivo de ida e volta para o trabalho em ônibus da sociedade empresária, além de incentivo à educação, com pagamento de mensalidades e bolsa-livros para todos os empregados. Você foi procurado(a), como advogado(a), para responder à consulta da sociedade empresária acerca da integração dos valores à remuneração dos empregados. Diante disso, observado o texto da CLT, assinale a afirmativa que, corretamente, apresenta a sua resposta.

Fundamentação:

no caso descrito, as utilidades se enquadram nas exclusões expressas do artigo 458, parágrafo 2º, do Decreto-lei 5.452/43, a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. Uniformes correspondem a vestuários; os computadores portáteis, na hipótese descrita, podem ser tratados como equipamentos ou acessórios fornecidos para a prestação do serviço; o transporte coletivo de ida e volta é o transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno; e o incentivo à educação com pagamento de mensalidades e bolsa-livros está abrangido pela exclusão legal relativa à educação. Por isso, esses itens não integram a remuneração.

Art. 458 - Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas.

§ 1º - Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do salário-mínimo (arts. 81 e 82).

§ 2º - Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador:

I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço;

II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático;

III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público;

IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante seguro-saúde;

V – seguros de vida e de acidentes pessoais;

VII – (Vetado);

VIII - o valor correspondente ao vale-cultura.

§ 3º - A habitação e a alimentação fornecidas como salário-utilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do salário-contratual.

§ 4º - Tratando-se de habitação coletiva, o valor do salário-utilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de coabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família.

§ 5º - O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio ou não, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, próteses, órteses, despesas médico-hospitalares e outras similares, mesmo quando concedido em diferentes modalidades de planos e coberturas, não integram o salário do empregado para qualquer efeito nem o salário de contribuição, para efeitos do previsto na alínea q do § 9o do art. 28 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991.

Exame: OAB EXAME XLVI - Data da prova: 05-2026 - Questão na prova: 75 - Ramo: Direito do Trabalho - Tema: Contrato de Emprego - Organizadora: FGV
75

Jonas trabalhava em uma sociedade empresária desde 2021. Com a nova chefia, que assumiu em janeiro de 2025, Jonas passou a ser explícita e sistematicamente discriminado pelo chefe em razão de sua orientação sexual, já que mantinha uma relação homoafetiva que era de conhecimento geral. Jonas foi dispensado, sem justa causa, em março de 2025. Em razão disso, Jonas o(a) procurou, na condição de advogado(a), para conhecer dos seus direitos. Assinale a opção que, considerando os fatos narrados e a norma de regência, apresenta, corretamente, sua orientação jurídica para o caso.

Fundamentação:

A alternativa correta reproduz a consequência jurídica prevista na Lei 9.029/95 para o rompimento da relação de trabalho por ato discriminatório. No seu artigo 1º, a expressão "entre outros" permite enquadrar a discriminação por orientação sexual narrada no caso. Reconhecido o ato discriminatório na manutenção e ruptura do vínculo, o artigo 4º faculta ao empregado escolher entre readmissão/reintegração com ressarcimento integral de todo o período de afastamento ou percepção, em dobro, da remuneração desse período.

Art. 1º - É proibida a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso à relação de trabalho, ou de sua manutenção, por motivo de sexo, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar, deficiência, reabilitação profissional, idade, entre outros, ressalvadas, nesse caso, as hipóteses de proteção à criança e ao adolescente previstas no inciso XXXIII do art. 7o da Constituição Federal.

Art. 4º - O rompimento da relação de trabalho por ato discriminatório, nos moldes desta Lei, além do direito à reparação pelo dano moral, faculta ao empregado optar entre:

I - a reintegração com ressarcimento integral de todo o período de afastamento, mediante pagamento das remunerações devidas, corrigidas monetariamente e acrescidas de juros legais;

II - a percepção, em dobro, da remuneração do período de afastamento, corrigida monetariamente e acrescida dos juros legais.

Exame: OAB EXAME XLVI - Data da prova: 05-2026 - Questão na prova: 76 - Ramo: Direito do Trabalho - Tema: Contrato de Emprego - Organizadora: FGV
76

Jorge Lucas trabalhou por um ano na sociedade empresária Alfa Beta Gama Ltda. Insatisfeito por trabalhar várias horas extras diárias sem recebê-las, apesar de consignar corretamente a sobre jornada nos controles de ponto, Jorge Lucas pediu demissão. Na rescisão do contrato de trabalho, por um equívoco do Departamento de Pessoal, foi pago um valor equivalente ao aviso prévio. Dias depois, Jorge Lucas ajuizou reclamação trabalhista pleiteando horas extras. A sociedade empresária contratou você, como advogado(a), para defendê-la. Acerca do que poderá ser alegado sobre o equívoco do pagamento a mais de aviso prévio, à luz do entendimento consolidado na jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho (TST), assinale a afirmativa correta.

Fundamentação:

A alternativa correta identifica os dois pontos decisivos da questão: o instituto jurídico aplicável e o momento processual. O valor de aviso prévio foi pago indevidamente, e a empresa quer contrapô-lo a eventual crédito reconhecido ao empregado na reclamação trabalhista. A base da questão trata essa hipótese como compensação, não como dedução nem como quitação. Além disso, o entendimento consolidado do TST, expresso na Súmula 48, exige que a compensação seja arguida com a contestação.

Súmula 48 do TST

A compensação só poderá ser arguida com a contestação.

Exame: OAB EXAME XLVI - Data da prova: 05-2026 - Questão na prova: 77 - Ramo: Direito Processual do Trabalho - Tema: Das Provas - Organizadora: FGV
77

Em determinada reclamação trabalhista que tramita perante a 60ª Vara do Trabalho de Maringá, PR, o autor requereu o pagamento do vale-transporte, que jamais fora pago, e as diferenças do FGTS, afirmando que, em parte do contrato, ele não foi depositado pelo ex-empregador na conta vinculada. Em defesa, a sociedade empresária sustentou que o empregado não necessitava de vale-transporte, porque ele residia próximo à sede da sociedade empresária em que exercia as suas atividades, deslocando-se a pé para ir ao serviço e voltar, e que recolheu de forma escorreita o FGTS. Sobre o ônus da prova, considerando os fatos narrados e o entendimento consolidado do Tribunal Superior do Trabalho (TST), assinale a afirmativa correta.

Fundamentação:

No vale-transporte, a prova de que o empregado não preenchia os requisitos ou não queria o benefício é do empregador, nos termos da Súmula 460 do TST. No caso do FGTS, a prova da regularidade dos depósitos também é do empregador, nos termos da Súmula 461 do TST, inclusive porque a alegação defensiva de recolhimento correto constitui fato extintivo do direito do autor, em harmonia com o Decreto-lei 5.452/43, a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, em seu artigo. 818, inciso II, e da Lei 13.105/15, Código de Processo Civil – CPC, no artigo 373, inciso II:

Súmula 460 do TST

É do empregador o ônus de comprovar que o empregado não satisfaz os requisitos indispensáveis para a concessão do vale-transporte ou não pretenda fazer uso do benefício.

Súmula 461 do TST

É do empregador o ônus da prova em relação à regularidade dos depósitos do FGTS, pois o pagamento é fato extintivo do direito do autor (art. 373, II, do CPC de 2015).

Exame: OAB EXAME XLVI - Data da prova: 05-2026 - Questão na prova: 78 - Ramo: Direito Processual do Trabalho - Tema: Dos Recursos Trabalhistas - Organizadora: FGV
78

Em determinada reclamação trabalhista que tramita perante a 58ª Vara do Trabalho de Cuiabá, MT, o pedido formulado foi julgado procedente em parte. A sociedade empresária reclamada recorreu ordinariamente e o reclamante, de forma adesiva. Distribuídos os apelos pelo Tribunal Regional, o Relator verificou que o recurso ordinário da reclamada se encontrava intempestivo, já que interposto no 16º dia contado da publicação da sentença. Considerando esses fatos e a norma de regência, assinale a afirmativa correta.

Fundamentação:

A alternativa correta reúne os dois fundamentos decisivos da questão. Primeiro, o recurso ordinário contra sentença da Vara do Trabalho tem prazo de 8 dias, nos termos do artigo 895, inciso I, do Decreto-lei 5.452/43, a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. Interposto no 16º dia, o recurso principal é intempestivo e não pode ser conhecido. O segundo fundamento se refere ao fato do recurso do reclamante, que foi interposto de forma adesiva, e a Súmula 283 do TST afirmar sua natureza subordinada ao recurso principal. Se o principal é inadmissível, o adesivo também não é conhecido.

Exame: OAB EXAME XLVI - Data da prova: 05-2026 - Questão na prova: 79 - Ramo: Direito Processual do Trabalho - Tema: Custas, Emolumentos e Honorários - Organizadora: FGV
79

Daniele, assistida pelo seu sindicato de classe, ajuizou reclamação trabalhista contra o seu ex-empregador. Na audiência, as partes chegaram a um acordo de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), mas o Juiz indeferiu a concessão de gratuidade de justiça à autora, porque a situação financeira dela era, comprovadamente, muito confortável. O Juiz fixou as custas em R$ 4.000,00 (quatro mil reais). Considerando esses fatos e o previsto na CLT, uma vez que nada foi convencionado no acordo, assinale a opção que indica quem pagará as custas.

Fundamentação:

A questão trata sobre custas processuais na Justiça do Trabalho, especialmente na hipótese de homologação de acordo judicial. A alternativa correta reproduz exatamente a regra prevista no artigo 789, parágrafo 3 do Decreto-lei 5.452/43, a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, para a hipótese de acordo judicial.

Art. 789 - Nos dissídios individuais e nos dissídios coletivos do trabalho, nas ações e procedimentos de competência da Justiça do Trabalho, bem como nas demandas propostas perante a Justiça Estadual, no exercício da jurisdição trabalhista, as custas relativas ao processo de conhecimento incidirão à base de 2% (dois por cento), observado o mínimo de R$ 10,64 (dez reais e sessenta e quatro centavos) e o máximo de quatro vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social, e serão calculadas:

.......................

§ 3º - Sempre que houver acordo, se de outra forma não for convencionado, o pagamento das custas caberá em partes iguais aos litigantes.

....................

Exame: OAB EXAME XLVI - Data da prova: 05-2026 - Questão na prova: 80 - Ramo: Direito Processual do Trabalho - Tema: Atos, Termos e Prazos Processuais - Organizadora: FGV
80

Jonas, executado na Justiça do Trabalho, reclamou com você, na condição de advogado(a), porque um Oficial de Justiça chegou à residência dele, em uma quinta-feira, dia útil, às 5h30, com ordem judicial para penhorar o seu imóvel, sendo certo que o mandado de penhora não continha nenhuma previsão de excepcionalidade. A revolta do executado reside no horário de chegada do Oficial de Justiça à sua residência, o que o obrigou a acordar muito cedo, o mesmo valendo para sua esposa. Sobre os fatos apresentados, considerando o previsto na CLT, assinale a afirmativa correta.

Fundamentação:

A alternativa correta aplica corretamente o limite legal previsto no artigo 770 do Decreto-lei 5.452/43, a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. O oficial de justiça não poderia ter iniciado o cumprimento do mandado às 5h30, pois o horário mínimo permitido para a prática desses atos é a partir das 6 horas da manhã, salvo autorização judicial expressa em sentido diverso, o que, no caso, não existia. Esse limite não é meramente formal: ele protege o direito à inviolabilidade do domicílio e à tranquilidade familiar, evitando diligências em horários excessivamente gravosos.

Art. 770 - Os atos processuais serão públicos salvo quando o contrário determinar o interesse social, e realizar-se-ão nos dias úteis das 6 (seis) às 20 (vinte) horas.

Parágrafo único - A penhora poderá realizar-se em domingo ou dia feriado, mediante autorização expressa do juiz ou presidente.